Bitrust, primeira custodiante de criptoativos do Brasil, entra em fase pré-operacional

A custodiante digital qualificada Bitrust, empresa sob o guarda-chuva da 2TM, já está em fase pré operacional e visa atrair de vez o investidor institucional até o mundo cripto.

“Assim que estiver habilitada para iniciar sua operação como custodiante, a Bitrust permitirá aos investidores institucionais o acesso ao mercado de criptomoedas e ativos digitais diretamente no Brasil”, explica Ronaldo Faria, CEO da Bitrust.

A Bitrust tem um pedido no sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ser autorizada a oferecer o serviço de custódia digital qualificada no Brasil. A expectativa é que essa autorização seja dada ainda no primeiro semestre. Desde 2018, um ofício da comissão autoriza os fundos a investir um percentual dos recursos em criptoativos, mas apenas no exterior, onde encontrariam mais segurança.

As custodiantes de ativos digitais oferecem a infraestrutura tecnológica que permite ao investidor o armazenamento e o acesso ao seu portfólio em um ambiente de blockchain, com altos investimentos em protocolos de procedimentos e de segurança. Apesar de ser um papel bem desenhado em mercados financeiros maduros, como o americano e o europeu, no Brasil, quem atende a essa demanda ainda são as exchanges, criadas para servirem como plataformas de compra e venda.

Com a expectativa de aprovação da CVM para entrada no Sandbox Regulatório, que deverá ser divulgada pela autarquia até 30 de junhoa expectativa de quem faz parte da economia digital é que os investidores institucionais passem a olhar com mais atenção para esse tipo de ativo. Nos grandes mercados internacionais, essas aplicações já integram as estratégias de gestores e empresas de primeira linha, que podem contar com custodiantes digitais especializados em criptoativos.

Um dos principais investimentos da 2TM na Bitrust busca garantir segurança e transparência na custódia. Para isso, a empresa trouxe para dentro do negócio ferramentas que permitem rastrear atividades com risco e transações anômalas, assim como a detecção de endereços (carteiras) sob sanções e restrições.

Esses mecanismos possibilitam, por exemplo:

  • Conectar as operações no mundo de ativos digitais com as transações no mercado financeiro tradicional, o que viabiliza o combate a atividades criminosas;
  • Visualizar cadeias/fluxos de movimentação de ativos digitais, com o fornecimento de perfis completos de negócios com essa classe de investimentos e uma ação mais efetiva em relação ao marco regulatório do mercado de capitais que trata da Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT);
  • Medir o risco de carteiras de ativos digitais, permitindo identificar se esses portfólios estão envolvidos com atividades criminosas ou se estão sob sanções.

O tipo de sofisticação de operações como a que vai oferecer a Bitrust confirma a importância das empresas especializadas na custódia digital qualificada para os negócios com criptoativos.

Segundo Faria, hoje, quando se fala de investidores institucionais em criptoativos, o Brasil ainda ocupa uma posição pouco expressiva. “No entanto, essa alternativa já é uma realidade fora do país. Com a autorização da CVM, esses investidores não vão ter de recorrer a investimentos no exterior, com custos maiores. Poderão contar com a melhor e mais segura infraestrutura para a custódia digital de seus ativos”, garante.

Hoje, explica o CEO da Bitrust, a falta de alternativa local para a custódia digital qualificada, desmotiva os gestores por causa da dificuldade e do custo de se manter uma estrutura fora do Brasil. “Não é uma estrutura trivial para gestores tradicionais, existe complexidade. Mas se essas operações passarem a ser feitas aqui, eles contarão com muitas vantagens, como o fato de estar sob a legislação brasileira e ter as pessoas e a prestação de serviço local, sob medida”.

Paloma Sevilha, head de Negócios da Bitrust, diz que o papel do custodiante digital é fundamental para o crescimento da economia digital. “Ele oferece uma infraestrutura de mercado especializada que, caso venha a ser regulamentada pela CVM e pelo Banco Central trará mais segurança ao mercado de criptoativos”, explica.

Aspectos relacionados à nova economia digital estão em discussão em diversos fóruns, inclusive internacionais, dentre esses, a Bitrust faz parte do GT Fintech do Laboratório de Inovação da CVM e de grupos de trabalho da ISO que discutem CBDC (moeda digital de Banco Central), aspectos de segurança para moedas digitais e técnicas de segurança para DLT (distributed ledger technology) em finanças.

Para iniciar as operações, a custodiante da 2TM está investindo cerca de R$ 10 milhões. Parte do recurso tem sido destinado a garantir uma tecnologia robusta e segura. A empresa também buscou parceiros experientes para dar suporte ao dia a dia do negócio.

Um deles é a Kryptus, multinacional brasileira de tecnologia de cibersegurança e criptografia, que tem entre seus clientes as Forças Armadas do Brasil, Serpro, Alcatel-Lucent, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Universidade de São Paulo.

Como parceira estratégica, a Kryptus assumiu o papel de garantir a segurança e a transparência do dia a dia da Bitrust e de seus clientes. Para isso, está utilizando uma plataforma tecnológica robusta e tem implementado controles de segurança e de governança adicionais para assegurar a máxima proteção do ambiente de custódia de criptoativos, detalha Roberto Gallo, CEO da companhia.

A Bitrust contratou ainda a KPMG, nos Estados Unidos, que será parceira na parte de auditoria de movimentações. A consultoria já tem a experiência de ter estruturado o processo de modelo de negócio de custodiante no mercado internacional, auditando as movimentações de criptoativos por meio da utilização de vários níveis de segurança.

A subsidiária brasileira da KPMG também está ajudando a Bitrust a estruturar a operação. Thiago Rolli, sócio da área de consultoria e serviços financeiros, explica que o projeto tem duas fases. A primeira, que já está na sua etapa final, trata do desenho da arquitetura de processos e cadeia de valor do negócio de custódia. A segunda fase será a de implementação. Ou seja, é quando começa a rodar o modelo de negócio.

“Assim que um cliente solicitar a compra de uma criptomoeda, a custódia digital fará um registro independente do ativo. O objetivo é ter uma estrutura tecnológica para que o cliente saia do modelo de hardware para um de custódia independente”, explica o executivo da KPMG.

Segundo Paloma, a Bitrust expandirá a custódia digital em fases. Na primeira, o serviço será oferecido para o bitcoin. Depois, serão incluídos outros criptoativos. “Vamos aos poucos, construindo a tecnologia. Precisa de preparação e investimentos grandes na tecnologia construída. Poderemos com o tempo partir para outros ativos digitais, desde que sejam registrados em blockchain”, explica a executiva.

Os planos, adianta Paloma, são ambiciosos. “Queremos ser um prestador de serviço que traz as melhores práticas para o mercado. O cliente precisa se sentir seguro na hora da custódia. Por isso, estamos investindo para mitigar todos os riscos, inclusive de acesso feito por hackers ou uma operação ligada à lavagem de dinheiro”, resume.

Em breve, a Bitrust deve anunciar a chegada de mais um parceiro. Será um representante do setor financeiro que terá o papel de compartilhar a custódia. O acordo ainda está em fase de negociação.

Fonte:  Valor Econômico | Mercado Bit Coin

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