A Kryptus, multinacional brasileira especializada em criptografia e segurança cibernética, em consórcio liderado pela Visiona Espacial, empresa controlada pela Telebras em parceria com a Embraer, foi a grande vencedora do Prêmio Finep de Inovação 2025 na categoria Tecnologias de Interesse para a Soberania e a Defesa Nacionais. O reconhecimento, entregue no dia 17 de março no Palácio do Itamaraty, em Brasília, celebra o desenvolvimento do projeto SatVHR, o primeiro satélite óptico de observação da Terra de altíssima resolução integralmente projetado no país. A premiação, concedida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destaca a iniciativa como um dos marcos mais relevantes para o fortalecimento da indústria espacial brasileira e para a autonomia estratégica do Estado em áreas críticas como monitoramento de fronteiras, proteção ambiental e gestão de recursos naturais.

Prótotipo de demonstração do SatVHR, vencedor do prêmio da Finep, em escala reduzida.

Prótotipo de demonstração do SatVHR, exibido durante o SpaceBR Show 2025. Foto: Caio Carnieri/Kryptus

O projeto do Satélite diferencia-se por apresentar o maior grau de conteúdo nacional da história espacial brasileira, envolvendo uma rede complexa de empresas da Base Industrial de Defesa (BID) e instituições de ciência e tecnologia. A vitória no chamado Oscar da Inovação reforça a capacidade do Brasil de desenvolver soluções de soberania tecnológica que reduzem a dependência de infraestruturas e dados estrangeiros, um fator considerado vital diante da crescente vulnerabilidade cibernética e geopolítica global. Na estrutura do projeto, a Kryptus desempenha um papel fundamental ao prover as camadas de proteção cibernética e criptografia de Estado, garantindo que o fluxo de informações sensíveis entre o espaço e o solo permaneça impenetrável.

A relevância do projeto para a autonomia brasileira

A conquista do Prêmio Finep 2025 simboliza um salto na capacidade brasileira de monitoramento territorial. Historicamente, o Brasil aumentou sua dependência por satélites estrangeiros, o que representa uma vulnerabilidade para a soberania nacional, pois a aquisição de imagens de empresas internacionais pode ser interrompida ou limitada por interesses externos em momentos de crise. O SatVHR, ao ser concebido como um satélite de pequeno porte com altíssima resolução, permite imagear grandes áreas em detalhes técnicos minuciosos, suprindo as necessidades do país com tecnologia própria.

O sistema foi desenhado para atuar em múltiplas frentes, desde a defesa nacional até a agricultura de precisão. A capacidade de observação ótica de altíssima resolução possibilita a detecção de mudanças sutis na cobertura vegetal, o monitoramento de crimes ambientais em tempo quase real e a vigilância tática de fronteiras secas e marítimas. Esse nível de detalhamento é essencial para operações do Exército, Marinha e Força Aérea, além de órgãos civis que dependem de dados precisos para a gestão territorial e a resposta a desastres naturais.

A importância do Satélite ocorre pelas integrações técnicas de super-resolução e sistemas de fusão de dados que otimizam a qualidade das informações coletadas, tornando-as acionáveis para decisões governamentais. Ao consolidar uma infraestrutura espacial própria, o Brasil deixa de ser apenas um consumidor de dados orbitais e passa a ser um provedor de inteligência geoespacial, o que impulsiona a competitividade da indústria aeroespacial nacional no cenário do New Space.

Design gráfico do SatVHR, vencedor do Prêmio Finep, aplicado em uma parede, com um pequeno texto ao lado: Satélite de Pequeno Porte de Observação da Terra em altíssima resolução.

Imagem ilustrativa do SatVHR, exibida no estande da Visiona durante o SpaceBR Show 2025. Foto: Caio Carnieri/Kryptus

Criptografia e cibersegurança como pilares da soberania de dados

A segurança de um satélite de defesa transpassa a sua capacidade óptica. Também é  necessária a integridade das comunicações entre o segmento espacial e o terrestre. É neste cenário que a expertise da Kryptus, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), torna-se o diferencial competitivo do projeto. A Kryptus é responsável por fornecer a camada de criptografia pós-quântica e de Estado, que assegura que as imagens capturadas e os comandos enviados ao satélite não sejam interceptados, manipulados ou bloqueados por atores hostis.

O uso de algoritmos nacionais é uma exigência para informações classificadas no Brasil, visando evitar vulnerabilidades como backdoors, frequentemente presentes em tecnologias de segurança importadas. A Kryptus desenvolve soluções que garantem a autonomia das comunicações aeroembarcadas, utilizando hardware e software totalmente verificáveis. Essa proteção é estendida aos centros de comando e controle, onde a criptografia e os enlaces de dados são protegidos por sistemas de alto nível, similares aos aplicados em projetos estratégicos como o Link-BR2 e o RDS-Defesa.

Ameaça quântica e a preparação para o futuro

Um dos pontos mais inovadores da participação da Kryptus no consórcio é a integração de conceitos de criptografia pós-quântica (PQC). Com o avanço da computação quântica, os algoritmos criptográficos tradicionais, como RSA e ECC, correm o risco de serem quebrados em poucas horas por máquinas futuras. Existe uma ameaça latente conhecida como ‘coletar agora, descriptografar depois’, na qual adversários capturam dados sensíveis hoje para descriptografá-los assim que os computadores quânticos atingirem a maturidade necessária.

Para mitigar esse risco, a Kryptus embarca algoritmos desenhados para resistir a ataques de computadores quânticos, baseando-se em problemas matemáticos complexos. Essa abordagem garante que as informações capturadas pelo SatVHR permaneçam protegidas por décadas, mantendo o sigilo de Estado mesmo diante da evolução das capacidades computacionais globais.

O consórcio e a rede de inovação nacional

A vitória no Prêmio Finep 2025 reflete o sucesso de um modelo de cooperação entre a indústria nacional, centros de pesquisa e o governo. Sob a liderança da Visiona Espacial, joint venture entre Embraer e Telebras, o consórcio reuniu as competências mais avançadas da Base Industrial de Defesa. A iniciativa engloba diversas ICTs e empresas nacionais, contemplando uma parcela significativa da indústria espacial brasileira e assumindo, por esse motivo, um caráter mobilizador para todo o setor. Além da Kryptus, participaram ativamente as coexecutoras Equatorial Sistemas, Fibraforte, OPTO Space and Defense e Orbital Engenharia, ao lado de instituições de excelência como o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

O projeto contou também com o apoio financeiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), reafirmando o compromisso da Finep em estimular o desenvolvimento de deep techs capazes de transformar a infraestrutura crítica do país. Este satélite é o resultado de uma política de Estado voltada para a Nova Indústria Brasil, que prioriza a transformação digital e a defesa nacional.

Para o Dr. Roberto Gallo, fundador e CEO da Kryptus, a conquista do Prêmio Finep 2025 reconhece que a inovação nacional atingiu maturidade global. “Temos muito orgulho do resultado do grupo: É tecnologia brasileira de classe mundial. As soluções de criptografia e segurança desenvolvidas no projeto são um testemunho vivo da liderança da Kryptus em capacidades soberanas, com poucos pares no mundo e única na América Latina”, afirma Gallo.

Do ponto de vista técnico, Lucas Martins, Diretor de Tecnologia, Desenvolvimento & Inovação da Kryptus, ressalta a complexidade de proteger sistemas em ambientes aeroespaciais. “O desenvolvimento de sistemas criptográficos para satélites exige um equilíbrio delicado entre performance e baixo consumo de energia. Implementamos no satélite um sistema avançado de proteção de enlaces e criptografia de Estado, assegurando que o fluxo de inteligência permaneça inviolável”, destaca Martins.

Perspectiva futura e consolidação da indústria espacial brasileira

A trajetória do SatVHR, coroada com o Prêmio Finep 2025, sinaliza o início de uma nova fase para o Programa Espacial Brasileiro. O sucesso deste projeto abre caminho para a criação de constelações de satélites de monitoramento contínuo, reduzindo ainda mais o tempo de revisita sobre o território nacional. A Kryptus, como peça-chave deste ecossistema, continua a investir em pesquisa e desenvolvimento para manter a vanguarda da cibersegurança e defesa, assegurando que as próximas missões espaciais brasileiras nasçam sob o escudo da criptografia de ponta.

O prêmio recebido em Brasília é, portanto, um selo de confiança para investidores e parceiros estratégicos que buscam inovação com segurança. O Brasil demonstra que a ciência e a tecnologia estão no centro de um projeto de nação mais justo, sustentável e soberano, onde a inovação premiada da Finep dialoga diretamente com as metas de desenvolvimento econômico e proteção da sociedade.


Sobre a Kryptus

A Kryptus é uma multinacional brasileira provedora de soluções de criptografia e segurança cibernética altamente customizáveis, confiáveis e seguras para aplicações críticas, com foco na entrega de serviços de alto nível para resolução das missões de seus clientes. Fundada em Campinas (SP), em 2003, atua hoje nos setores público e privado dos mercados do Brasil, LATAM, EMEA, sendo reconhecida pelo Ministério da Defesa do Brasil com o selo EED – Empresa Estratégica de Defesa, além de contar com certificações globais, dentre elas, ISO 9001, 27001, 27701 e  20000-1.

Sobre a Visiona

Criada em 2012, a Visiona Espacial é uma joint-venture entre a Embraer Defesa & Segurança e a Telebras. Voltada para a integração de sistemas espaciais e à prestação de serviços baseados em satélites, a companhia atende aos objetivos do Programa Espacial Brasileiro e a demandas de mercado.

A Visiona foi a responsável pelo Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC1, lançado em 2017. Em 2023, a empresa lançou o VCUB1, o primeiro nanossatélite de observação da terra e coleta de dados projetado por uma empresa no Brasil. Atualmente a Visiona lidera o projeto do satélite SatVHR de observação da Terra de altíssima resolução, apoiado pela Finep e com ampla participação de empresas e ICTs brasileiras.

A Visiona também fornece produtos e serviços de Sensoriamento Remoto e Telecomunicações por satélite, bem como Aerolevantamento SAR nas Bandas X e P, sempre buscando a vanguarda tecnológica. Nesse mercado, a Visiona já realizou mais de 100 projetos em diversos setores como o de agricultura, óleo e gás, serviços financeiros, utilidades, meio ambiente e defesa.

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Vinícius Giavoni

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